Naldos Heft

STUPID PART OF A BOAT.

Thursday, December 30, 2004

PLANK I

PLANK I
Spiritual, escorrido na cama
eu decido escrever:
Sobre a merda dos meus dias
sem-nada-pra-fazer;
e ainda que:
nasci em uma geração de frouxos,
onde eu sou o pior,
o mais covarde etc.
E pensar que
shopping sundae aula
cinema Messenger alemão
cansaço falta de tempo
eu reclamava disso!
Isso não tem meio, nem fim, eu não trouxe o rascunho
estou hoje bonito, barbudo e fecundo;
livre pra pegar emprestado:
Oh Charley! I´m blind!

Monday, December 27, 2004

Declaração nº13

Já perdi a mão escrevendo declarações que você não lê. Por sua causa recusei oitocentas princesas orientais. E como um antigo condenado lancei-me de uma torre em direção ao abismo.
Minhas metáforas estão queimadas, tanto fogo, tanto gelo. Queria agora escrever na porta do seu armário. Que você tem sido mais importante do que qualquer futura colheita, do que naufrágios, do que a fome do povo.
Ao seu encontro eu tomaria trens descarrilhados, aviões em chamas, atalhos na selva. Eu queria lhe salvar de um mal súbito, jogar meu peito na bala que lhe destinassem, distrair os tubarões.
Escreveríamos juntos deitados a Constituição Americana do nosso amor de tecla. Passaríamos entre pêssegos e abelhas. E você parece não querer.
Despreza as minhas Chuvas tardias Palavras tortas Tango e possíveis Beijos de palma e palma e Chão.
Sei lá porque eu ainda lhe esfrego meus ramos e mostro lacres dourados e corações. Gastando meu Hochdeutsch e minhas tardes e noites a dentro quando sei que nada fará você simplesmente ler isso.
Essa declaração, se for, não tem fim. Fé em Dickinson que sabia melhor de nós.

Thursday, December 23, 2004

PIOR.

Pior e ponto. Só chove na minha vida coloquial. Sou o vitoriano dessa paróquia de Tupaciguara q vendeu seus votos por vinte reais. Não me peçam hj pontuação ou coerência. Pouco me falta p fugir de casa na noite de natal. A pé até Buenos Aires. Queria falar um palavrão atrás do outro e não sei nenhum. Queria quem eu quero na bolinação de noites inteiras. Órbita da Terra. Quero parar de me preocupar se amanhã vou ter espinhas ou não. Pior do que isso, só....

Eu tinha bons posts prontos e jogei fora. Que bom. Vou começar do zero.

Thursday, December 16, 2004

UNSCHOOLED III 2.004

Começado com Luz em Agosto. Hóspedes nas férias. Grande festa da Jhey. 21 Gramms. 4º ano de Direito. Blog. Último ano do Alemão. Luciana em Londres. Novelas. Patty transferida para o Noturno. Lost in Translation. Eleições em Tupaciguara. Minha palestra sobre América Latina. Tom Jones. Renata, Marcelo, cinema. Longas tardes de relatórios com Paula. Sangue Sábio. Ju. O grande casamento. A psicopata. Boate nos domingos. Kontakfähigkeit perdida. Orkut. Saulo visto de longe. Dani (que merecia aqui um capítulo). MSN Messenger. Poesia. Saudades de Buenos Aires. Jhey na faculdade. Cavalos. Enfermaria nº 6. As novas colegas de Jhey na ponte. Dickens, Guy de Maupassant. Eu quero ir embora. Carol, o pôster na minha cabeça, Shimenni. O batizado de Leo. S.O.S. Mariane. Fogo Pálido. Descaso. Casa arrombada. Sonata a Kreutzer. Sempre livros. Kill Bill vol. 2. Quase feliz. Tango. Malagueña Salerosa. Hoje. O eterno marido. O fio que liga esse ano ao próximo.

Sunday, December 12, 2004

Leaving S.

Leaving S. . Que bom título para anunciar o que quero agora. Paz de fancaria. Na amurada te acenei. S. S. S. S. . A febre que me provocaste, como dirias. É a última vez que lhe dou tratamento em tu. Estou deixando seus filmes românticos livros de subliteratura estrelinhas artigos. Embora o seu leitor fiel. Longe quem gastava linhas e lágrimas tortas para lhe impressionar. Até essa despedida vai ser rápida e feia. Estragando meu blog.

Saturday, December 11, 2004

Der Gute

Voltei a ser Naldo, der Gute. As últimas semanas me purificaram. Todas as traições, conversas, capítulos de novela, Hamlet, despedidas e novas amizades. As irritações constantes de dezembro, o post que me apagaram sem querer alguns minutos atrás. A horrível sinusite que me acordou. Novamente sou bom e ignorante. Quero a vidinha mais reles. Qualquer sorriso que eu fizer será bem-vindo. As pessoas de sempre voltam a me contentar, as músicas da moda. Até para escrever estou simplificando. Esqueço as promessas de Tókio e Los Angeles. Esqueço beijos molhados em aeroporto por lágrimas quentes. E _ criei uma discussão inútil! Voltei até a ser manco com as palavras. A brigar. A querer fazer a barba e sair com o rosto clarinho para ver um filme novo. Finais de semana me transformam. Nem sei como terminar. Ou melhor, sei que não deveria postar isso. Mas update is necessary.

Friday, December 10, 2004

PARAÍSO I (colagens de posts do Orkut)

O seguinte texto é formado por três posts que deixei em uma comunidade muito pessoal no Orkut (Desbundes&Transas da Língua). O que está em questão é minha visão pessoal de paraíso.

Paraíso 12/10/2004 3:16 AMOntem em um trecho da Dani (no blog dela) me deparei novamente com a questão do Paraíso. Até estou trabalhando em texto sobre. Texto q vai levar meses ou uns poucos minutos p q eu termine. Mas quero antecipar aqui minhas questões.Qdo Dani disse q o paraíso perdido dela era em resumo "gente e comunicação" eu realmente vi como essa idéia de paraíso tb é a minha. Em algum lugar Sartre disse "q o inferno são os outros". Eu sou invertido: meu paraíso são os outros. É esse o paraíso q perdi ainda na infância, em algum recreio de escola qdo brincava com todos os colegas e todos brincavam comigo. Aí entra a colocação do Proust q eu não esqueço: os verdeiros paraísos são aqueles q perdemos. Como perdi fiquei fixado. Ainda espero um telefone tocando sem parar, Messenger cheio de janelas, conversas madrugada a dentro, safáris por bairros decadentes e festinhas como as q a Dani descreveu. Depois do post dela descobri q isso ainda é meu paraíso:gentes&gentes, como ela diz.(Comentem ou eu não paro mais).
Minha lista 12/10/2004 3:43 AMO paraíso não é só Bora-bora com o seu amor correndo com o cabelo agitado pelo vento. O paraíso está ali, onde vc perdeu. Sorvete, edredon, conversinha no cinema, livro mil vezes lido, pés molhados em Buenos Aires, cheiro de lavanda. O paraíso é o q vc quer encontrar de novo. Pasto cinzento, meu avô, queimada no pátio do colégio, jogo de video-game zerado, assistir "E o Vento Levou" pela primeira vez. E o paraíso são as pessoas; as que vieram e as que quero q cheguem. L. S. M. V.&S. ,querida P., D. .O sentido da palavra e Sartre q saia da nossa discussão com suas propostinhas fúnebres e ardilosas. Existecialismo não faz parte do meu paraíso. Escrever, desenhar, ver minha mãe costurando, Patty dançando flamenco nas escadas da faculdade, a mesa do gramado, a janelinha do Messenger brilhando, o final de Central do Brasil, miojo. O paraíso está partido e espalhado entre nós.
12/10/2004 4:03 AMQue eu queria q se um dia morresse encontrasse tudo aquilo. Q passasse mil anos naquelas contemplações loucas. Parado, lendo "querido". Brincando com meus anquinhos quando abríamos a torneira da piscina para fazer a miniatura de um riacho sob os vasos de planta do quintal. Queria jogar WAR com a Jhey pra sempre até tarde. E ouvir "vc agora está de férias"!. Queria ir comprar sorvete de novo com a Raylla (q ontem me deixou um testimonial inesperado) e no caminho puxarmos cogumelos para o Clube de Ciências. Queria meu primo explodindo a garrafa de Sprite com anilina e sujando a roupa das freiras. A risada da Luciana quando eu imitava algum cantor. Patty dizendo q a melhor coisa da vida é um croissant de presunto. Meu sonho de ter um cortador de grama. A livraria escura em Palermo. Meus dedos quebrando as regras do museu e ousando tocar El Greco para sempre. O "Beijo" de Rodin na minha frente. Sujo de ovos e amarrado na cordinha quando passei no vestibular. Ficar na minha cama ouvindo uma tempestade horrível. Queria morrer e encontrar isso. Não anjos, ou deus, ou um vazio escuro e eterno, não um túnel luminoso. Queria encontrar isso, só.

Thursday, December 09, 2004

UNSCHOOLED III (TOPIC)

Escrito em 05 de Novembro de 2.004, ao ar livre _ dia quente após tempestade (embora não pareça)

Alguém de longe se faz presente. O final dessa semana também chega _ entre tarefas e compromissos pequenas diversões contidas. Cinema, risos da ironia de sempre, comida, acordar tarde.
_ A gente se contenta com tudo porque já beijou a parede._
É o que repito há anos, desde o dia em que li (em Lispector). A fórmula da minha vida?
Entrevista comigo: TOPIC da Communitie "Eu quero ir embora!"
O que te prende aqui?
Eu não sei. Eu mesmo. A família. O futuro que eu planejei. Alguns poucos amigos. A faculdade. Os compromissos. Não precisar trabalhar. MENTIRA. Eu sei. Eu mesmo. Eu beijei a parede porque quis. E o desejo de beijar é maior que a parede e maior que o beijo. Esse ainda permanece. Essa é a fórmula da minha vida. FIM.

UNSCHOOLED II (Dezembro)

Escrito no dia 03 de dezembro do Ano do Senhor de 2.004. Afinal: o blog não é um diário virtual?

Estou cansado do final do ano. Provas, lavar o cabelo, presentes de Natal. Estou me consumindo ao ritmo do calendário. Ouvindo muitas reclamações e com o armário abrigando um caos. Ontem à noite chovia e eu lia Dickens. Implicavam. Dezembro me deixa perpetuamente irritado.
Será que essas aulas não acabam logo para irmos para Tupaciguara?
Terminando o curso de Alemão, o 4ºano de Direito. Fechando um ano quase vazio (e o que tem sido meus anos?)
Preocupado com dinheiro, seguindo dias e noites ao longo de vitrines decoradas. Ainda falta o presente para as bisavós. Eu nunca vi bisavó ganhar alguma coisa de bisneto, tinha que ser o contrário!
A última aula do ano. Die Prüfung. Então: 63 km away. Em Tupaciguara: onde será a ceia esse ano? Os meninos arranham o assoalho da sala! Peru ou chester? Não vou convidar tanta gente! Virão mesmo assim? A sobremesa vai ser só uma torta e as nozes! Já chegaram? No ano passado eu passei a noite de Natal lavando pratos, esse ano vou passar de novo mas ano que vem vou passar o Natal longe daqui! Na última hora não comprei o que você queria, mas você vai gostar.
O que compensaria tudo isso seria, sinceramente, um presente de calar a boca. Algo digital talvez. Ou apenas silêncio.

Wednesday, December 08, 2004

AULA DE ÉTICA II (incompleto)

Meu melhor texto AULA DE ÉTICA I está perdido. Nova aula de Ética, agora em irritante dezembro. Ela voltou e não me procurou. Ele me trata com descaso. Às vezes chove e eu sou muito idiota.
Seminário sobre Freud e Ibsen. Engraçado pensar na questão da ética de Nora. Não sei quais são meus verdadeiros deveres, conheço apenas o nome que me deram, sei apenas que meu amor me tornará um pária, não conheço o nome que tenho. Eu brinco com epígrafes para acalentar meu id.
Orkut. Eu disse que me alimentei das trevas mais familiares e que ter lido "Judas, o Obscuro" foi como _ comer no escuro. Garagalhada. Responderam: "você pegou pesado". Respondi: "Não, além disso também encontrei outro tipo de alimento naquele livro." E listei.
Agora direto do laboratório quente. Amanhã tem mais?