Naldos Heft

STUPID PART OF A BOAT.

Monday, January 24, 2005

Stupid part of a boat III

Nada mais do que isso. A roda girava e atirava lama no meu rosto na roupa e _ eis a diversão do dia de ontem. Filmes intermináveis e conversas que me levam a pensar no vôo de horas e florestas que nos separa, na felicidade comezinha que eu podia lhe dar antes que você me considerasse um inimigo e me botasse na rua.
Ando lendo, como sempre, procurando um novo estilo que faça mais sentido com a minha torrente de pensamentos e sensações proustianas e meus desejos de estar perdido no deserto.
Sei que venho para esse blog e despejo tudo sem sentido que ninguém tem paciência de me ler e que as únicas pessoas a quem tudo que eu digo se destino estão agora em: supermercados carne cerveja cerca viva e estacionamentos, festas, Europa dançando sem mim, estão pesando em suas vidas onde eu sou só um estorvo hermético. Onde eu sou a piada do dia ou a citação de Santo Agostinho na hora certa. A parte estúpida de um barco e.

Wednesday, January 19, 2005

BATATAS (tít. provisório)

Para Luciana

Eu consigo.
Você não é mais aquela porque gosta de batatas,
Você virou gente longe de mim.
Quantas vezes eu lhe soletrei Camões
na mesa do gramado ou da cantina e você riu.
Eu amo aquela_
_a que lhe matou.
Você virou eca Londres de mim.

E nem que você me desse um novo conto,
nem que as contas do seu colar voltassem
eu voltaria a não ter rompido quebrado.
Amizade é.
Agora não sei.
Falta-me uma equipe de resgate.
Como continuar escrevendo telefone abraço.
Não quero, amarrei.
Bolei, bodei _ como eu falo.
Como eu falo para quem eu encontro.
Se você caiu na piscina ou não.
Se ama quem, se quer voltar.
Dói.
Ser mais sincero me reduziria.

Se eu escondesse ou rasgasse esse texto
Não seria diferente.
Apagá-lo de você, não sei.
Ainda é bom porque terminou em poesia.
Eu disse que.

Wednesday, January 12, 2005

Sermão sobre a Beleza

Para Alan
Tenho que escrever um texto sobre a Beleza. Desde que Alan disse que a Beleza só engana ou coisa parecida. Necessidade de fazer um enorme sermão a todos, a Alan, a mim mesmo.
Se a Beleza só enganasse eu estaria perdido. Vivo atrás dela. Cheiro de Sonho de Valsa, as últimas anotações de Anne Frank, postais da Califórnia. Durante anos da infância e da pré-adolescência minha mãe me deu lições de História da Arte; eu fechava um livro com gravuras de Rembrant ou Matisse e ia brincar na rua. No rosto dos meus amigos e entre os galhos das árvores eu continuava a procurar aquele indizível. E depois de ver pessoalmente aqueles quadrinhos rachados em museus muito longe de casa... só piorei.
Descobri que eu acredito na Beleza. Acredito no sorriso não intencional de Jhey, nas obras completas de Fernando Pessoa, na Plazoleta Cortázar, em My Girl, no alto da cachoeira, na voz da minha avó, em Hable con Ella, no meu livro sobre múmias, na cara de Leo imitando macaco, em uma futura viagem ao México, no meu avô fazendo bichinhos de sombra na parede iluminada por uma única lamparina.
Preciso de Beleza hoje e amanhã quando acordar. E preciso fazer o Sermão, convertê-los todos a esse credo.

Tuesday, January 11, 2005

Foto I

Sabia quem eu era hoje de manhã. Agora depois de tanta briga, Insatisfação e felicidade, cabelos cortados não sei mais. Plantas mortas que eu tive que jogar no lixo, o apartamento ao lado sendo reformado. Rápido tento conquistar o mundo _ querendo as folhas secas do seu coração distante e as canções que você prometeu tocando no rádio. Estou pior ainda.

Friday, January 07, 2005

PLANK II

Tinha preparado três textos para trazer e digitar, desisti. Nossas vidas podem mudar, subitamente, amanhã. Talvez alguém nos diga que nossa verdadeira mãe é a Suzana Vieira na novela das 8, talvez o vento nos carregue para o Pólo Norte, talvez nosso grande amor apareça morrendo agarrado ao portão de um cemitério. Não sei. Ando sendo sentimental como anúncios de cartões de crédito.
Preciso falar com três pessoas. Urgências. Sinto saudades de vinte dias do Campus. Queria falar de São Paulo Hemingay Quem fugiu de mim agora Ano Novo Planos Diversão. Esse ano vai ser duro porque tenho que me tornar bacharel e advogado. Não mais para deitar e acordar junto. Como eu disse para a Carol, matei meus sonhos.