As dores são umas loucas I
As dores são umas loucas
(você cantava enquanto a água caía)
(você cantava enquanto a água caía)
Minhas próprias dores são essas loucas, quase pequenas, um bando de meninas na beira do mar. O vento joga, o vento joga. Como se eu tivesse dormido sobre a areia e como se o meu amor só atingisse o ponto de ebulição quando os ciúmes e os temores de abandono fossem grandes. Como se amar valesse ainda mais a pena pelo medo de não poder te reter, e fosse suave e escuro te imaginar me deixando. Nesse instante essas malucas começam a pular e a berrar nos meus ouvidos para que eu
faça alguma coisa
como registrar os raios dos seus olhos ou te telefonar e ser patético. Ferozes elas apostam corridas na minha pista, quebram um pensamento inteiro, um verso delicado, mancham um bilhete seu com mertiolate e puxam a insegurança da gaveta. Só para que eu volte a saber que tudo permanece no lugar, os dias, os sorrisos, as juras e que eu sou feliz e confiado.

2 Comments:
At 9:43 AM,
Normanda Asterixiana said…
As dores loucas e os medos tantos. Tudo ótimo no papel e tão insuportável na vida.
At 5:06 AM,
Anonymous said…
o que eu te digo dear...
"Minhas próprias dores são essas loucas" e elas são, elas me contaminam em tudo, eu sei que sinto tudo certo, mas as vezes minhas dorem doem sem tanto motivo e eu ameaço estragar tudo eu "faio" que nem você disse e eu me sinto muito estúpida.
saudade de você.
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