Le tombeau d'Albertine
Je veux aller mourir aux lieux où je suis née;
Le tombeau d'Albertine est prés de mon berceau...
(Marceline Desbordes-Valmore)
Eu não faço rascunho antes e acabo postando por impulso para que depois venham os band-aids e tampem os rombos, não como em versos ensaiados mas algo mais próximo dos longos pensamentos dessas noites de férias ou como os paralelos de ontem à tarde quando eu tomava um sundae na sorveteria de sempre (com Tatá) e via o cardápio deles pela milésima vez na vida, tudo pintado em placas de isopor pregadas na parede. As bordas estão roídas e a tinta acrílica (muito parcimoniosa) mostra a banana-split ideal, vaca-branca, sorvete no melão, vaca-preta, milk-shake, vaca-dourada. O fim do sundae é um laguinho de xarope de groselha o fim do meu pensamento é o sono, a cama é berço repleto de pernas de Albertine, dos olhos de Agostinelli, de tanta gente que aparece aparece e eu não conheci. Talvez o berço esteja _ não só perto, não só perto _ mas sobre a tumba. Não dá para sair do lugar. Mesmo depois do sono ou do xarope de groselha.
Os dias podem ser bonitos o vento sopra e as praças da cidade pequena estão cheias de crianças nos últimos e desesperados momentos das férias (como eu no último segundo de pálpebras abertas em cada madrugada?) e hippies vendendo brincos de arame e prometendo tatuagens. Dei para fazer apostas nesses prêmios de loteria, dei para pintar quadros onde aparecem deus e santos e anjos com corpo de abelha voando e castelinhos e cenas de ópera (Madame Butterfly) dei para uma nova versão. E a escrita de doente passou a indolente.
(oh... com uma epígrafe dessas eu precisava ter feito coisa melhor!)

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