Naldos Heft

STUPID PART OF A BOAT.

Monday, August 16, 2004

POEMA I

POEMA I

Queria que fossemos um.
Que as pessoas quando nos vissem não conseguissem deixar de pensar no outro caso não estivéssemos juntos no momento, ou que tivéssemos muito em comum se estivéssemos juntos. Queria que fossemos dois completos, que pudéssemos passar a eternidade na lenta reflexão de que nos bastamos.
Queria viver no topo do mundo, entre neblina e pedras, apoiados um contra o outro, rindo, rindo, rindo. E só queria a imortalidade para mais tempo com ela. Para assistir seus fundos olhos brilhando como as faíscas de uma roda de ferro arrastada rapidamente, e tentar adivinhar, sabendo o que aquilo dizia e que era me amar me criticando, me amar achando que eu sou o imperfeito mais próximo daquela altura toda.
Ela é não só as ondas do mar vistas de cima, mas todo o mar, todo o oceano, a neve nos cumes.
A neve quando poucas pedras apontam entre ela.
Um cume todo ensolarado finalmente atingido. Ela é a subida e o sangue arrancado das mãos, é a bandeira fincada, é a vitória e me faz pensar que qualquer sofrimento não passa de um jogo.

Saturday, August 14, 2004

Um rapaz do século XIX

Aqui estou eu, resolvido a fazer uma coisa que milhares (ou milhões?) de pessoas fazem todos os dias que é criar_ e manter_ um blog. Eu resisti enquanto pude, mas pouco a pouco a idéia me dominou: um blog pode sim ser um meio interessante de expôr idéias e fazer comentários. É melhor ainda para tudo aquilo a que falta sentido. Portanto minha intenção é escrever sobre tudo. Pessoas e estrelas. Não deixa de ser um objetivo singelo.
Acho que a primeira coisa decente a fazer é me apresentar: Ronaldo, 20 anos, estudante de Direito da UFU, amante da Literatura, toco piano, falo Inglês, estou terminando o curso de Alemão. Um dado que pode ser esclarecedor sobre mim é uma característica. Uma grande amiga, com enorme poder de observação, disse uma vez que eu era um rapaz do século XIX. A expressão não foi exatamente essa, mas isso não importa. Ela provavelmente acertou. O que faz de mim uma pessoa do século XIX? Um jovem oitocentista?
O século XIX foi um período em que um turbilhão de pensamentos e sentimentos, muitas vezes contraditórios agitavam as pessoas, tudo isso encoberto pela intenção de se ser sempre sensato, erudito, sociável, divertido. Ou seja, enormes tragédias misturadas com os fatos mais mesquinhos do cotidiano. Explosões violentas _ só as interiores. Nesse quadro situa-se o homem do século XIX, que aprecia a velocidade moderada, boas conversas, introspecção e ironia. Tenha uma pessoa com essas características vivido no Egito Antigo ou esteja vivendo hoje será ela uma pessoa oitocentista. Alguém apaixonado por mistérios, não por resolvê-los mas por mantê-los. Quando não criá-los.
Por isso eu sei qualquer coisa de "O Morro dos Ventos Uivantes" de cor. Sou pré-contemporâneo.
Espero que tudo isso sirva como introdução, e que esteja parecido comigo: dizendo pouco mas pensando muito, sendo irônico, tímido, divertido, absurdo. Pretensioso. Pragmático sonhando. Que esse blog ajude a quem me ama me amar mais, a quem gosta de mim que assim permaneça, a quem me odeia encontrar material farto para falar mal de mim. Prometo ser melhor na próxima. NALDO