Copiado no bolso
Eu trago copiado no bolso um poema em francês
Quelles frayeurs à nous interdites avez-vous
como se esse poema em tinta preta em folha velha
que fala tanto de mim, como se houvesse sido feito
para esse Naldo
connues pour en revenir si indulgent et si bon
e não para outro e me descreve bem no que eu faço e sei
et sachant le travaux des âmes
de conhecer as pessoas, as casas e os segredos,
de ser ciumento e ridículo,
de esperar um céu de estrelas de neón
e confeitos colocados na boca
et ce qui se passe dans les maisons
e ter um paraíso só meu,
um Sputnik só meu _ arcaico_
fabricação soviética de um sobrinho-neto de Gógol
et que l'amour fait si mal?
E que do poema todo eu só mudaria essa frase,
eu riscaria o mal e seria assim:
ET QUE L'AMOUR FAIT SI BIEN
pelo menos por enquanto,
pelo menos.
