Lua, boquinha de milho
De todos os pés fincados (e o capim escondia a lua) eu penso se não será a minha tarefa apenas escolher poemas como amoras. Densidade de guitarras e todas as cordas porque vida interior existe mesmo e ninguém destrói. Toalha de rosto cheira a leite e eu via a mangueira azul estendida (mas novelos) sobre a ardósia e pensava se minha missão não é
apenas versificar.
Porque escondem holofotes amarelos entre a lenha da fogueira falsa e os corvos param nos braços do espantalho com boquinha de milho.
Eu tenho boquinha de milho,
quando a espiga acabou de se formar e cada grão parece uma pérola feita de espuma,
eu tenho corvos parados nos braços e eles
comem as cenouras.
Eu vi a lua e as crianças dançando "quadrilha country" e os flashes dos pais e mães orgulhosos esperando para beber refletiam no meu rosto
eu esqueci que tinha um rosto, mas tinha boca.
O calendário pode dizer que não havia lua (minguante?) ou a metereologia registrava céu fechado mas eu vi, além do rabo do pônei, do curralzinho feito com palitos de picolé.
O cordeirinho de São João pulou para os meus braços e a tarefa é só:
Escolher poemas _ como _ amoras.

1 Comments:
At 1:16 PM,
Anonymous said…
aaaaaaaaaiiii...tarefa linda a sua!
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