Naldos Heft

STUPID PART OF A BOAT.

Sunday, June 05, 2005

Sunday _ why not sundae?

Aos leitores: o texto numerado como "2" acaba sendo melhor do que o primeiro. Então.
1)Quando eu apago um post que já estava quase pronto porque as palavras, elas pareciam ter sido trabalhadas com alicates. Fora de mim. E não é isso, já que aqui elas fervem o bastante. Baladas e as antigas balas soft. Só. Eu não aprendo e tenho meus cabelos feitos de vinil (o que eu posso ser pra você?) e os dedos calejados de vontade de ter uma horta de couves só minha. Flashes de possíveis frases fecham meus olhos. Das mocinhas dançando ao redor da piscina, da guitarra, da chuva triste na rodovia. Um domingo é feito para pequenas diversões e valises cheias de perfumes e cremes. Um dia para seriados em que eu paro e penso como o protagonista. Como a mocinha (tirando o vestido estampado e berrando que NÃO quer voltar para casa). Domingo para meus pés de borracha e unhas de acrílico. Um boneco com um coração de neón. De vitrine. Bonitinho e sem as malditas palavras ideais, sem as palavras de força e técnica, sem lirismo ou melodia, sem mitos ou tangos ou convés e tempestade. E fico simples e província e se me derem o governo da Ilha Baratária eu recuso logo de cara. É crise ou preguiça? Na pista de dança, eu juro, não sou assim. O excesso de poses pode ter me queimado. O texto da peça já está na porta da geladeira da cozinha. Não entra. Rodo, rodo e não acho o que tem que chegar. Se é um conto, um soneto, um romance. Só me dirijo a. Não fosse por mais, mas porque é curioso. Ainda vão declarar que Naldo está morto. Que foi com Rimbaud para a África.
Domingo acaba sendo uma vontade-Pessoa de reinventar. Tudo. Including as pequenas diversões.
2) Ok, acabei ler "O Apanhador no Campo de Centeio" hoje de manhã quando a janela do quarto ainda estava fechada e eu estava com sono, com frio e com preguiça até de chorar. E sei que o Salinger revirou meu processo narrativo interno e lá onde estão os cristais roxos ele ficou rindo porque. Eu sou muito pior do que o Holden. No sentido de ser mais covarde mesmo. Ou de parar demais. O máximo que eu fiz nesse final de semana foi correr demais no cavalo baio, na pista de uma pequena exposição agroecuária, arriscando saltos dignos de uma epopéia da Ásia Central entre mesas amarelas com propaganda de cerveja e crianças comendo algodão doce. Não que eu quisesse derrubar uma mesa ou ferir os pequenos índios era só. A busca do ponto exato em que eu fixasse os olhos na estrela apagada da roda-gigante e esquecesse de mim mesmo e de todos os outros, de todo mundo mesmo. Só meu corpo a um metro da sela, preso ao cavalo só pela rédea. E o resultado foi dúbio. Holden continuo mais corajoso e eu um provinciano besta. No entanto quando o céu ficou lilás e a estrela daquela velha roda-gigante (enferrujada, triste, roda de fim de caso, onde não se sobe para o primeiro beijo mas para um tapa bem dado) acendeu-se atraindo as primeiras mariposas. E parei. Sinal. Ok, depois ouvi vários sermões sobre galope em pista de asfalto e em risco e era como se eu tivesse dirigido a 300km por hora durante um temporal sem os faróis. Para quem estava de fora. Não foi nada.
(Vou mesmo reinventar minhas diversões)

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