escorpião no sapato
Só algumas vezes a vida parece pequena e confortável como a valise que levamos na mão Ana Karenina. No tempo restante estamos ali lutando contra a forte atração que exercem os trilhos ou idealizando utopias de colônias de homens semi-livres para as estepes que passam-passam pela janela. E eu queria me perder na construção desses fatos gerais e históricos, mais do protestos, mais do que drama familiar em cinco atos. Escrever um diário documental de dias gigantescos com batalhas e declarações exílios e amores partidos com fohlas censuradas atiradas. Ao mar. Que a vida fosse ainda mais incômoda e eu encontrasse a cada manhã um escorpião no sapato, que reuníssemos os índios para defender a missão e subir as serras até o estio eterno no lombo das mulas. Isso eu chamo dos trilhos que me puxam para romper com meus ritos mais cotidianos e tranqüilos como as segundas que apagam a inquietação dos domingos, como um filme que apaga a melhor cena do anterior. Eu poderia ser o herói que quisesse e a mocinha chorona, poderia mergulhar em ciúmes ou passar três anos mudo. E se não sou, e se não faço é porque. Nessas algumas vezes em que a vida está ali, na mão, alcinha vermelha. Ela me dobra e eu fico. Parado

1 Comments:
At 8:52 PM,
Normanda Asterixiana said…
Queria comentar algo inteligente menino, mas mal consigo me concentrar pra ler. Estou quase enlouquecendo. Te pediria pra me escrever, mas confesso que desisti... Um beijo.
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