Sandálias
De sandálias eu brinco de ser grego. Derrapando na fórmica cinzenta da sala de aula, firmando o pé no calçamento da rua. Mas aí eu era um apóstolo tentando levar uma mensagem de amor. Essas coisa de os livros na estante não terem mais tanta importância. Rock nacional que você ouviu ontem sem querer. Que você me pega na porta da escola e enche a minha bola com todo o seu. Pastiche das músicas da geração que agora passa. Os soldados tiraram os uniformes para brincar eu tive um sonho vou te contar. Mas nossas músicas são tão outras. E aos poucos os elos vão ficando mais fortes e quando o olho arde com o shampoo a toalha vem na minha mão. Azul. Eu-metódico. Oh... minha frase mais cômica de hoje foi: "deu certo?".
(Minin' do céu! Cê é bunit' dimais!)
Só prossegue quem não fica mareado: Patrícia e Naldo conversando na mesma mesinha, bosque úmido, pássaro pretinho e depois sopramos aqueles capuchos brancos que espalham plumas. Acho que Paty virou parente de vez hoje. Mais que prima. Algo do meu sangue de rubis e diamantes pingou nela. Por mais chateada e chocada que ela tenha ficado. E depois a felicidade dos five-days-in-april-sem-ter-que-despedir-hoje. O pôr-do-sol-mais-lindo. De onde vem " 'cause every little thing is gonna be all right!".
São os últimos instantes do nosso banquinho na roda-gigante lá no alto. Já posso ouvir o nosso adeus. Tókio, aqui não é Tókio. Eu te amo.

1 Comments:
At 8:40 AM,
Normanda Asterixiana said…
Gostar do que você escreve é a coisa mais fácil do mundo. Difícil, difícil mesmo é descrever a leveza e a doçura que passa. Essa sua capacidade de materializar o inefável sem condensá-lo demais. Com a minha escrita talvez eu consiga fazer uma ou outra florzinha brotar na lama. Mas você escreve nas nuvens, para os anjos.
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