Monotemático II
Hoje eu percebi que todas aquelas roupas já foram lavadas e passadas. Inclusive as de ontem. A camiseta azul do primeiro dia (em que não nos beijamos e que havia sido comprada expressamente para te agradar _ mensagem subliminar), a calça que você fez esforço para tirar enquanto eu falava de um conto do G.G. Márquez, as meias. E encontrei sua mão desenhada naquela página, meus olhos brilharam e já era um pranto doce. O envelope verde com seu perfume, o livro. Eu fico me agarrando nos pedacinhos que ficaram. Nas lembranças, sem seqüência. Os cinco beijos na mesa de concreto, o almoço no restaurante pretensioso, sua cabeça no meu colo enquanto eu lia. Eu que namoro as palavras agora namoro-namorado. Minha língua torce. A solidez foi destruída. Cantorinhas do interior da Colômbia me emocionam. E se acabou a vez na roda-gigante talvez seja tempo de irmos a outro brinquedo do parque. Os barquinhos mesmo ou. Merry-go-round. Fico vaidoso-feliz-e-tristinho. Consegui atingir o alvo, três argolas na garrafa, dois patinhos derrubados. Panapaná e poeira. Que as horas só confirmam minha escolha e valeu a pena ter tomado o xarope escuro da solidão. Ouvir você dizendo "Naldo, Naldo". Eu brilho.

1 Comments:
At 2:19 PM,
Normanda Asterixiana said…
E eu que achava que apenas as mulheres se ligavam no fato das roupas terem sido lavadas ou não...
Você, sempre perfeito...
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